Sabe-se que buracos negros se fundem, mas um novo estudo teórico investiga se algum deles poderia se dividir em dois. Os pesquisadores afirmam que uma rotação extremamente rápida talvez torne esse processo possível, embora as condições sejam excepcionalmente restritivas.
Publicado na Physical Review D, o estudo examina as restrições físicas e termodinâmicas que normalmente impedem os buracos negros de se fragmentarem. No caso de um buraco negro sem rotação, a divisão em dois buracos negros menores reduziria a entropia total, tornando o processo termodinamicamente desfavorável.
Os cálculos sugerem que uma rotação suficientemente rápida poderia abrir uma exceção estreita. No entanto, os dois buracos negros resultantes também teriam de se afastar, em vez de voltarem a se aproximar. Segundo o coautor Francesco Sannino, essa condição deixa uma possível janela principalmente para buracos negros que giram perto de sua taxa máxima.
O título do artigo, “When Black Holes Admit Pair-of-pants Topologies” [“Quando os buracos negros admitem topologias em forma de calça”], descreve como o contorno, ou horizonte, do buraco negro poderia se apresentar no espaço e no tempo: uma estrutura que se divide em dois ramos. Os pesquisadores também consideraram modelos teóricos com dimensões extras, nos quais alguns objetos semelhantes a buracos negros podem ser instáveis e a fragmentação pode ser termodinamicamente favorecida em determinados casos. Ainda não se sabe se esse processo pode realmente ocorrer.
A equipe ainda não consegue estimar a probabilidade de uma divisão, pois a resposta pode depender de como a gravidade se comporta além da teoria de Einstein. Sannino afirmou que pequenos buracos negros primordiais podem ser mais propensos a se dividir do que os maiores, de origem astrofísica. Uma possível pista indireta poderia vir de observações de raios gama: telescópios como o Fermi-LAT poderiam procurar sinais de fragmentos minúsculos de buracos negros que talvez se formem durante fusões. Nenhuma divisão de buraco negro foi confirmada.
Fontes: ScienceDaily.