As hepáticas dependem da água para a fecundação, mas seus esporos se dispersam com mais eficiência em condições mais secas. Um estudo de Marchantia polymorpha sugere que suas estruturas reprodutivas femininas evoluíram por meio de mudanças sucessivas que atenderam a essas exigências conflitantes.
A pesquisa, publicada na Nature Plants e liderada por Xu Bo, do Instituto de Botânica da Academia Chinesa de Ciências, identificou um sistema até então desconhecido que move a água para cima, contra a gravidade. Estruturas superficiais especializadas no pedúnculo e no receptáculo reprodutivos femininos atuam em conjunto para levar água até órgãos reprodutivos elevados, favorecendo a fecundação. O desenvolvimento coordenado dessas estruturas é regulado por MpLAS, um fator de transcrição da família GRAS.
A equipe também descobriu que outra proteína da família GRAS, MpGRAS10, contribui para a formação do pedúnculo reprodutivo. Ela promove a expressão dos genes de biossíntese de giberelina MpKAOL1 e MpKAOL2, contribuindo para o desenvolvimento de estruturas elevadas que podem favorecer a dispersão de esporos.
Análises evolutivas comparativas indicam que o pedúnculo surgiu antes das estruturas superficiais especializadas envolvidas no transporte de água. Os resultados sustentam uma explicação em etapas: uma mudança inicial favoreceu a dispersão de esporos, enquanto adaptações posteriores ajudaram a enfrentar o desafio decorrente de levar água até as estruturas para a fecundação.
Os pesquisadores afirmam que o trabalho mostra como exigências funcionais contrastantes podem moldar a evolução sequencial de estruturas complexas. Eles também sugerem que as descobertas sobre o transporte de água podem contribuir para pesquisas sobre sistemas passivos e direcionais de transporte de líquidos na engenharia bioinspirada.
O estudo, de Xiaotong Qi e colegas, intitula-se “Sistema de transporte direcional de água resolve conflitos entre fecundação e dispersão em Marchantia” e foi publicado na Nature Plants (2026).
Fontes: Phys.org.