O projeto Genomas SUS do Brasil sequenciou 100.000 genomas individuais desde 2020, com R$ 1,37 bilhão investido na iniciativa, segundo o jornalista Marcelo Leite. O projeto faz parte do programa Genomas Brasil, do Ministério da Saúde. Os gastos chegaram a R$ 330 milhões no ano passado, escreveu Leite depois de participar do terceiro Simpósio Genomas SUS, em Belém, encerrado no sábado, dia 31.
O projeto busca levar ferramentas de medicina de precisão ao Sistema Único de Saúde (SUS), a rede pública de saúde do Brasil. Leite argumenta que ampliar o acesso é importante porque as tecnologias de diagnóstico estão se tornando mais comuns na saúde privada, enquanto muitos brasileiros dependem do sistema público.
As informações genéticas já podem ajudar a orientar alguns tratamentos. A farmacogenômica, por exemplo, pode indicar quando talvez seja necessário mudar a medicação ou a dosagem de um paciente. Os testes genéticos também podem ajudar a confirmar diagnósticos de doenças raras e, em alguns casos, embasar expectativas sobre a evolução de condições como o diabetes tipo 2.
A iniciativa não pretende sequenciar genomas sem uma finalidade específica. Sua estratégia é priorizar pacientes atendidos pelo SUS, cujas condições de saúde estão documentadas no sistema. Os pesquisadores podem usar essas informações para estudar as relações entre variantes genéticas e doenças.
Um grande desafio é a falta de dados genéticos que representem a diversidade do Brasil. Grande parte das pesquisas em larga escala que relacionam genomas a doenças se concentrou em pessoas de ascendência europeia, enquanto o Brasil tem uma proporção significativa de ascendência africana e indígena. O Genomas SUS está criando oito centros em todo o país para apoiar o uso de equipamentos e de métodos padronizados de análise.
Leite observou que a medicina de precisão é prometida há décadas, mas ainda não produziu grandes resultados no atendimento rotineiro aos pacientes. Ele descreveu o sistema público de saúde como um lugar lógico para começar a desenvolver a pesquisa necessária para tornar esses benefícios mais amplamente disponíveis.
Fontes: Folha Ciência.