Encontrar um filhote em uma colônia de morcegos lotada é uma tarefa exigente. As mães precisam identificar seus filhotes entre centenas ou até milhares de animais que se comunicam na escuridão total. Um estudo realizado por pesquisadores da Universidade Doshisha, no Japão, publicado na Frontiers in Ethology, examinou como esse reconhecimento funciona e o que acontece fisiologicamente quando as mães ouvem seus filhotes.

A pesquisa concentrou-se em uma colônia de Alionoctula abramus, um pequeno morcego do leste asiático que costuma descansar em estruturas construídas por humanos, como telhados e sótãos. A colônia vive perto da Universidade Doshisha e já havia sido observada pelos pesquisadores em um experimento anterior de separação, no qual apenas a mãe biológica deixava a colônia para procurar um filhote isolado.

Para o novo estudo, a equipe colocou quatro fêmeas grávidas em uma colônia de laboratório. Cada uma deu à luz três filhotes. Os pesquisadores registraram os chamados de isolamento dos morcegos jovens, vocalizações que funcionam de certa forma como o choro de um bebê, atraindo a atenção da mãe. Esses chamados eram distintos para cada filhote.

O rápido desenvolvimento dos morcegos permitiu que os pesquisadores acompanhassem os jovens até que se tornassem independentes. Após 12 dias, os filhotes pararam de produzir chamados de isolamento. Aos 30 dias, começaram a dormir separados de suas mães e passaram a produzir vocalizações adultas, que também foram registradas.

Os pesquisadores então reproduziram para as mães uma série de chamados, incluindo os de seus próprios filhotes, os de filhotes sem parentesco e os de um adulto desconhecido. A frequência cardíaca das mães aumentou quando ouviram os chamados de isolamento de seus próprios filhotes, mas permaneceu em níveis normais quando ouviram os chamados de outro filhote. A resposta aos seus filhotes também continuou quando os morcegos jovens produziram chamados adultos depois de se tornarem independentes.

Os chamados de um adulto desconhecido também fizeram a frequência cardíaca das mães aumentar. Os pesquisadores disseram que isso mostra que o coração dos morcegos responde ao estímulo, mas um eletrocardiograma, por si só, não pode estabelecer se a reação é positiva ou negativa.

Os autores advertiram que os resultados devem ser confirmados com uma amostra maior, já que o estudo envolveu apenas quatro mães. Ainda assim, as descobertas indicam que as mães morcego usam sinais vocais individualizados para reconhecer seus filhotes na escuridão da colônia.

Fontes: Focus.it.