Cientistas que estudam os cérebros de raposas-prateadas identificaram diferenças no hipotálamo ventromedial, uma região na base do cérebro associada à agressividade, às decisões sobre o uso de energia, aos instintos maternos e ao comportamento social em camundongos. As descobertas vêm de um estudo que comparou raposas criadas para serem dóceis, raposas selecionadas por características agressivas e raposas selvagens.
A pesquisa, publicada em 2 de novembro na Current Biology, baseia-se em um experimento de criação iniciado na Sibéria no fim da década de 1950. Geneticistas russos observaram que algumas raposas de fazendas de raposas-prateadas aceitavam mais o contato humano, enquanto outras se comportavam de forma agressiva. Ao cruzar entre si os animais mais dóceis, eles produziram raposas que interagiam com as pessoas após seis gerações. Esses animais também desenvolveram características físicas associadas à domesticação, como orelhas caídas e focinhos mais curtos.
Os pesquisadores examinaram nove cérebros de raposas preservados, fornecidos por cientistas que trabalhavam com uma colônia russa de raposas: três de raposas dóceis, três de raposas criadas para serem agressivas e três de raposas selvagens. Usando marcação fluorescente de RNA em cortes finos do cérebro, eles identificaram diferentes tipos de células no hipotálamo ventromedial.
A equipe concentrou-se nos neurônios que expressavam o receptor alfa de estrogênio porque estudos anteriores com camundongos haviam relacionado essas células ao circuito da agressividade. Nesses experimentos, a ativação dos neurônios fazia os camundongos atacarem outro camundongo. As raposas dóceis do novo estudo tinham menos neurônios que expressavam o receptor de estrogênio nessa região cerebral do que os outros grupos.
A autora sênior, Eirene Markenscoff-Papadimitriou, disse que o trabalho pretendia esclarecer a base neurológica das mudanças comportamentais produzidas rapidamente por meio da seleção artificial. Ela também disse que as descobertas sugerem que as pressões ambientais podem alterar a estrutura cerebral em escalas de tempo relativamente curtas.
Os pesquisadores agora querem determinar como a domesticação produz essas mudanças no hipotálamo ventromedial. A coautora Anna Kukekova poderá investigar como mutações em diferentes partes do genoma da raposa influenciam o desenvolvimento dos neurônios identificados no estudo.
O artigo, de Jared L. Klein e colegas, intitula-se “Hypothalamic cell-type differences associated with selection for tameness in the silver fox”. Seu DOI é 10.1016/j.cub.2026.09.020.
Fontes: Phys.org.