Pesquisadores do Centro Alemão de Pesquisa do Câncer (DKFZ) e do Instituto de Células-Tronco HI-STEM identificaram em camundongos um grupo de células-tronco sanguíneas que pode permanecer dormente por mais tempo do que as células conhecidas anteriormente, preservando, ao mesmo tempo, sua capacidade de produzir sangue. Os resultados, publicados na revista Cell Stem Cell, sugerem que essa população poderia ajudar a manter a produção sanguínea e as defesas imunológicas durante toda a vida de um camundongo.

As células-tronco sanguíneas da medula óssea se renovam e produzem as células sanguíneas do organismo. Muitas permanecem inativas por períodos prolongados e se dividem quando necessário. Os pesquisadores descobriram que algumas células anteriormente ignoradas por não apresentarem o marcador de superfície CD150 possuem outro marcador, o EPCR, e permanecem dormentes por períodos especialmente longos.

Mais de 200 dias após o início do estudo, cerca de 10% a 15% das células recém-identificadas ainda apresentavam um marcador de dormência, em comparação com aproximadamente 2% das células-tronco sanguíneas convencionais. As células recém-descritas também responderam com menos facilidade a sinais inflamatórios, que podem levar as células-tronco a se ativar e produzir células imunológicas, mas podem reduzir suas reservas quando a ativação ocorre repetidamente.

As duas populações apresentaram tendências diferentes quanto aos tipos de células sanguíneas que produziam. As células-tronco convencionais CD150-positivas eram mais propensas a produzir glóbulos vermelhos e plaquetas, enquanto as células profundamente dormentes se desenvolviam com maior frequência em células imunológicas, especialmente linfócitos. Em experimentos de transplante em camundongos, ambos os grupos puderam produzir todos os principais tipos de células sanguíneas. Células individuais da população recém-identificada mantiveram a produção sanguínea por toda a vida, inclusive após transplantes em série.

Os pesquisadores afirmam que os resultados mostram que as células-tronco sanguíneas são compostas por subgrupos distintos, com propriedades diferentes. Uma população de longevidade comparável ainda não foi demonstrada em humanos. A equipe afirma que investigar se existe uma população assim é o próximo passo; uma compreensão melhor de como as células-tronco permanecem funcionais com o envelhecimento poderia, no futuro, orientar terapias de transplante de células-tronco.

Fontes: Phys.org.