Cientistas iranianos que trabalham nos Estados Unidos estão enfrentando uma significativa agitação à medida que as pressões do conflito contínuo entre EUA e Irã aumentam. Pesquisadores em início de carreira estão suportando status de imigração congelados, incerteza no emprego e o sofrimento de ter famílias presas na guerra. De acordo com Open Doors, um relatório anual do Instituto de Educação Internacional, quase 12.000 estudantes iranianos de pós-graduação estavam se formando nos Estados Unidos durante o ano acadêmico de 2024–25. Muitos desses indivíduos agora estão usando pseudônimos ao falar com a imprensa devido aos medos por sua segurança e possíveis repercussões profissionais de ambos os governos.
A situação foi exacerbada por uma série de eventos violentos e mudanças de política. Em junho de 2025, Israel bombardeou instalações nucleares e militares no Irã, levando a ataques retaliatórios e um conflito conhecido como guerra de 12 dias, que também envolveu ataques dos EUA a locais nucleares iranianos. Crises econômicas subsequentes e repressões governamentais no Irã resultaram em uma estimativa de 30.000 mortes durante protestos, enquanto um conflito separado sobre armas nucleares em fevereiro de 2026 teria matado cerca de 20.000 pessoas em todas as nações envolvidas. Além disso, o governo iraniano desligou a internet do país por quase três meses entre fevereiro e maio, impedindo que pesquisadores no exterior se comunicassem consistentemente com seus entes queridos.
As mudanças na política de imigração dos EUA desestabilizaram ainda mais as vidas desses pesquisadores. Em junho de 2025, a administração do presidente Donald Trump emitiu uma proibição de viagem que barrava a entrada de pessoas de 12 países, incluindo o Irã, citando seu status como patrocinador estatal do terrorismo. Isso foi seguido por memorandos de agências executivas em dezembro de 2025 e janeiro de 2026 que expandiram a proibição para 39 países e efetivamente congelaram o processamento de todas as solicitações de vistos de estudante, residência permanente e autorização de trabalho. O governo federal não aprovou nem negou essas solicitações até junho de 2026, deixando muitos pesquisadores em um limbo burocrático sem clareza sobre seus futuros caminhos profissionais.
O custo humano dessas políticas é evidente em casos individuais. Nima, um estudante de doutorado que viajou para o Irã em maio de 2025 para visitar sua mãe doente, não conseguiu retornar aos EUA após a proibição de viagem de junho tornar seu visto expirado inválido. Incapaz de reentrar no país, ele renunciou ao seu programa em agosto e desde então tem lutado com problemas de saúde mental, descrevendo a viagem como a pior decisão de sua vida. Da mesma forma, Azin, que obteve seu doutorado em dezembro de 2025, perdeu ofertas de emprego e uma oportunidade de pós-doutorado porque sua solicitação de Treinamento Prático Opcional foi congelada pela pausa do governo. Ela passou seis meses viajando entre estados sem uma casa permanente ou renda.
Especialistas sugerem que essas políticas fazem parte de um esforço mais amplo para reduzir a imigração. Kevan Harris, sociólogo da Universidade da Califórnia, Los Angeles, observou que o aumento da carga sobre os indivíduos frequentemente os leva a deixar o país inteiramente. Embora os pesquisadores esperem aumentar a conscientização dentro da comunidade acadêmica, muitos temem repercussões por compartilhar suas histórias. Um porta-voz do Departamento de Estado dos EUA defendeu as medidas, afirmando que foram emitidas para proteger a segurança nacional e a segurança pública, enfatizando que um visto é um privilégio e não um direito.
Fontes: Nature.