O observatório Neil Gehrels Swift da NASA deverá cair de volta à Terra nas próximas horas. A previsão é que a maior parte da espaçonave, que pesa cerca de 1,5 tonelada, se incinere ao reentrar na atmosfera, embora alguns fragmentos mais pesados possam sobreviver e atingir a superfície.

Na tarde de terça-feira, a Aerospace Corporation previu que a reentrada do Swift ocorreria às 7h12 de quarta-feira, com uma margem de incerteza de oito horas para mais ou para menos. A NASA afirmou que os possíveis detritos podem incluir peças de titânio, como um suporte de instrumento, anéis e conexões, além do conjunto de espelhos de níquel do telescópio.

A NASA estima que a probabilidade de um fragmento ferir alguém seja baixa. A trajetória do observatório passa sobre partes da África, da América Central e do Sul, da Ásia e da Austrália, onde o risco é descrito como muito pequeno. Em muitas regiões, incluindo a Europa e os Estados Unidos, o risco é zero.

Lançado em 20 de novembro de 2004, o Swift foi projetado para estudar o brilho residual de explosões de raios gama. Seu instrumento de campo amplo podia detectar clarões de raios gama, após o que a espaçonave se voltava rapidamente para a fonte e fazia observações detalhadas enquanto a luz de alta energia enfraquecia. As explosões podem assinalar eventos cósmicos violentos, incluindo explosões estelares e colisões entre estrelas de nêutrons.

A missão foi inicialmente planejada para durar dois anos, e a NASA não tinha um plano de contingência para elevar a órbita do Swift. O arrasto atmosférico reduziu gradualmente a altitude da espaçonave. O aumento da atividade solar, há dois anos, expandiu a atmosfera da Terra e acelerou a descida de satélites, incluindo o Swift.

A NASA contratou a startup Katalyst Space Technologies, sediada no Arizona, para tentar elevar a órbita do observatório. A espaçonave de resgate foi lançada com sucesso em julho, mas sofreu uma falha ao se aproximar do Swift. A NASA e a Katalyst abandonaram a tentativa em agosto.

O Swift retomou as operações científicas para uma última rodada de observações antes de a NASA desligá-lo no dia 20 do mês passado. John Nousek, que dirigiu as operações da missão, disse que a espaçonave não tinha sistema de propulsão e dependia de energia solar e baterias. Ele afirmou que não era surpreendente que ela tivesse durado tanto.

O astrofísico Brad Cenko, investigador principal do Swift no Centro de Voos Espaciais Goddard da NASA, disse que o fim do observatório era um momento triste para a equipe. Os integrantes planejavam se reunir na noite de quarta-feira para lembrar a espaçonave e compartilhar histórias.

Fontes: Folha Ciência.